Mães denunciam fechamento de CMEI tradicional em Goiânia – Blog Folha do Comercio

Home Últimas Mães denunciam fechamento de CMEI tradicional em Goiânia

Mães denunciam fechamento de CMEI tradicional em Goiânia

de admin

Comissão de mães de alunos critica SME por falta de diálogo e descumprimento de promessas, enquanto enfrenta possibilidade de perda de vagas

Por mais de 16 anos, o CMEI Orlando Alves Carneiro atendeu dezenas de crianças da região de Campinas, em Goiânia, com projeto pedagógico elogiado por pais, professores e lideranças comunitárias. Agora, com a proximidade do fim do contrato de aluguel do prédio onde a unidade está instalada, a Prefeitura de Goiânia determinou o fechamento do CMEI e a realocação das crianças, prioritariamente, para o CEI Luzeiro, na Cidade Jardim, a mais de 3 quilômetros de distância e em condições que, segundo os responsáveis, ‘colocam em risco a segurança e o desenvolvimento infantil’.

Pais e mães denunciam que a Secretaria Municipal de Educação (SME) descumpriu acordo feito em audiência pública e não cumpriu a decisão do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que determinava que qualquer processo de transferência deveria ser feito com planejamento, comunicação clara e respeito à comunidade escolar.

“Fomos avisadas do fechamento do CMEI no dia 23 de abril, com menos de 24 horas de antecedência, e sem qualquer explicação concreta. No dia seguinte, já queriam que comparecêssemos à CRE Brasil para a transferência. Isso é desrespeito com as famílias”, relata Victória Leão, mãe de uma das crianças atendidas.

Em nota enviada ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia informou o encerramento das atividades do Cmei Orlando Alves Carneiro, que funcionou por 16 anos “em prédio inadequado e com riscos à segurança”. Diante da situação, a atual gestão tomou providências para garantir a integridade de crianças e servidores, iniciando a transferência de alunos para outras unidades da rede.

Segundo a pasta, cinco crianças já foram encaminhadas ao CEI Luzeiro, aprovado em vistoria técnica e considerado seguro e confortável. As transferências não são obrigatórias, mas, com o fechamento do Cmei em 27/06, os responsáveis devem escolher novas unidades até o início do próximo semestre para garantir a continuidade do atendimento. O CEI Luzeiro é uma instituição conveniada, com repasse parcial de recursos pela SME (veja a íntegra do documento no fim do texto).

‘Estrutura inadequada’

Após pressão das famílias, uma liminar do TCM adiou o fechamento para 30 de junho. Desde então, uma comissão de mães organizou visitas ao CEI Luzeiro — unidade escolhida pela SME para receber parte das 129 crianças atendidas pelo Orlando Alves Carneiro. O que encontraram chocou os responsáveis.

Imagens que constam no relatório das mães em visita a unidade
Caixas de medicamentos são usados como material pedagógico e infraestrutura inadequada ainda em construção no CEI Louzeiro (Foto: Comissão de Mães)

“O local é inadequado. Crianças dormem amontoadas em um auditório. Nos banheiros, crianças a partir de 3 anos ficam em local aberto, com ducha, onde qualquer adulto pode ver o corpinho delas, sem nenhuma privacidade. Além de expostos e mal higienizados, há infiltrações, goteiras e risco de acidentes. Vimos até medicamentos misturados a brinquedos nas salas de aula”, relata Francielle Turibio, outra mãe da comissão.

Além da falta de estrutura, segundo a comissão, a unidade não possui nutricionista, nem projeto político pedagógico formalizado. “É uma violação dos parâmetros do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Servem sardinha enlatada, carne vermelha duas vezes na semana e não há cardápio nutricional aprovado. Isso é ilegal”, aponta Victória Leão.

Palavra descumprida

Durante audiência pública e em reunião com a secretária de Educação, Gisele Faria, mães afirmam que receberam a garantia de que poderiam indicar um novo prédio, desde que tivesse estrutura escolar, para a possível permanência do CMEI Orlando. A comunidade apresentou um imóvel a menos de 1 km da unidade atual, com espaço suficiente para receber não só as crianças matriculadas, como outras da fila de espera. Toda a documentação foi protocolada.

Imagem interna do prédio que aguardar retorno da prefeitura
Imagem do local escolhido pelas mães para ser acolher a crianças (Foto: Comissão de Mães)

“Eles simplesmente voltaram atrás. A secretária disse que o valor de R$ 20 mil era alto para o aluguel. Mas a Prefeitura gasta milhões em shows, carros blindados e fogos de artifício. O que está em jogo aqui é a educação das nossas crianças”, afirma Crislaine Silva, mãe e integrante da comissão.

Ameaças e intimidação

Além das dificuldades com o poder público, pais denunciam coação. “Disseram que quem não aceitasse a transferência perderia a vaga, o que é inconstitucional. Isso tem gerado medo, principalmente entre mães solo que dependem da unidade para trabalhar”, relata Maria Alyne Souza Ferreira, mãe de um bebê de 1 ano e 3 meses que ficou sem escola após ser desvinculado sem autorização.

Muitas famílias afirmam que não conseguirão manter seus filhos no CEI Luzeiro devido à distância, riscos e à falta de condições mínimas. “A estrutura é pior que a do Orlando, que nunca teve um acidente sequer em 16 anos. No CEI, há um muro baixo, um portão trancado com cadeado e crianças ao lado de uma obra de abrigo para pessoas em situação de rua, sem qualquer controle ou segurança”, aponta Crislaine.

Mobilização e resistência

A luta das mães já repercutiu na Câmara Municipal. Vereadores como Aava Santiago, Edward Madureira, Katia Maria, Fabrício Rosa e o decano Anselmo Pereira demonstraram apoio público à causa. Um novo pedido de liminar foi apresentado ao TCM.

Imagem das mães durante uma sessão em plenário
Mães buscam apoio durante sessão plenária (Foto: Comissão de Mães)

As famílias também organizaram abaixo-assinado com mais de 90 assinaturas e apresentaram relatório técnico com fotos e descrição da visita ao CEI Luzeiro. Durante sessão plenária, a vereadora Aava Santiago reforçou que a discussão vai além da estrutura física do CMEI, envolvendo o respeito aos vínculos afetivos, à proteção da infância e à garantia de um ambiente digno para as crianças.

“Não vamos aceitar o desmonte”

As mães afirmam que continuarão mobilizadas. “Não vamos aceitar caladas. Estamos falando da vida de nossas crianças. O CMEI é gratuito, público, tem projeto pedagógico, nutricionista, estrutura, vínculos afetivos. O que querem fazer é injustificável”, conclui Victória.

Imagem de uma das mães falando sobre o caso
Victória Leão (Foto: Comissão de Mães)

Enquanto isso, o prédio alternativo, com estrutura escolar e disponibilidade imediata, continua à espera de resposta da Prefeitura — que permanece em silêncio.

Em nota ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirmou que o CMEI Orlando Alves Carneiro funcionava há 16 anos em prédio com estrutura comprometida e que, por questões de segurança, decidiu encerrar o atendimento no local. Segundo a pasta, parte das crianças foi redirecionada para unidades como o CEI Luzeiro, considerado pela SME “plenamente adequado” após vistoria.

A secretaria também informou que as transferências não são compulsórias, mas que os responsáveis devem escolher uma nova unidade para garantir a continuidade do atendimento no próximo semestre.

Leia na íntegra a nota da Secretaria Municipal de Educação (SME)

“A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia informa que o Cmei Orlando Alves Carneiro funcionou, por 16 anos, em um prédio inadequado, com estrutura comprometida e riscos à segurança de crianças e servidores. A atual gestão, ao identificar a gravidade da situação, tomou as providências para garantir a integridade física de todos.

Parte das crianças do CMEI está sendo redirecionada para outras unidades da Rede Municipal. Até o momento, cinco crianças já foram transferidas para o CEI Luzeiro, unidade que passou por vistoria técnica da SME e foi considerada plenamente adequada, com estrutura em um único pavimento, salas amplas, banheiros adaptados e área externa com espaço verde, oferecendo mais conforto e segurança para o público da Educação Infantil.

A SME informa que as transferências não são compulsórias, os pais não são obrigados a transferir para outros Centros de Educação Infantil (CEIs) e Cmeis, contudo destaca que o atendimento no Cmei Orlando de Moraes foi encerrado em 27/06, para que a criança continue sendo atendida em agosto é necessário que os responsáveis escolham as instituições disponibilizadas pela SME até no início do próximo semestre.

Os CEIs são instituições conveniadas que atendem a Educação Infantil em parceria com a SME. No caso do CEI Luzeiro, administrado pela entidade filantrópica Ministério Terra Fértil, o tipo de convênio celebrado pela SME é o parcial, quando é feito o repasse de verba para custear despesas com pagamento de pessoal, material pedagógico e limpeza.”

Por Mais Goiás

Você pode interessar!