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Cadastro nacional de agressores vai ajudar mulheres a se proteger, diz delegada

Titular da DPCA de Anápolis acredita que banco de dados público transforma condenação em instrumento de proteção social

de admin

Imagem mostra delegada Aline Lopes, da DPCA de Anápolis

O avanço do projeto que garante a criação de um cadastro de condenados por crimes de violência domestica, na última terça-feira (28/4), foi comemorado por diferentes segmentos de Goiás e do Brasil. Aline Lopes, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, considerou, por exemplo, que a medida pode representar um importante mecanismo de proteção social ao evitar as chamadas “vítimas da vez”.

A proposta foi aprovada por unanimidade no Senado e segue para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderá sancionar ou vetar o texto. A iniciativa é de autoria da deputada Silvye Alves (UB).

SAIBA MAIS:

Para a delegada, a principal mudança está no acesso à informação. “A informação sobre a condenação de alguém existe, mas fica restrita a um processo, ou seja, não chega a quem mais precisa saber disso”, afirmou. Segundo ela, ao tornar públicos dados de condenações já transitadas em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso) o Estado amplia a rede de proteção.

“Na prática, essa medida transforma a condenação em informação e, consequentemente, em proteção social”, destacou. Lopes argumenta que o cadastro permitirá que mulheres tenham conhecimento prévio sobre o histórico de eventuais parceiros ou pessoas com quem mantenham contato.

“Por meio dessa ferramenta, que pode ser acessada por qualquer mulher que venha depois da vítima, a sociedade fica mais protegida. Inclusive, com segurança jurídica, já que estamos falando de casos onde os processos já tramitaram em julgado. Isso elimina o risco de uma exposição indevida”, explicou.

VEJA TAMBÉM:

A delegada reforça que o acesso organizado aos dados pode ter efeito preventivo. “A informação organizada e de fácil acesso ajuda a proteger e avisar as mulheres para que elas não se tornem as ‘vítimas da vez’”, declarou.

O texto aprovado prevê a criação de um banco de dados com informações como nome completo, documentos pessoais, identificação biométrica, endereço, tipo de crime cometido e a relação entre agressor e vítima.

A proposta surgiu após a chamada “Tragédia de Sorriso”, registrada em 2023, quando um homem com passagem anterior por crime sexual invadiu uma residência no município mato-grossense, estuprou e matou uma mulher e suas três filhas. Para a autora da matéria, o caso evidenciou falhas na circulação de informações sobre condenados.

Onda de violência

A discussão ocorre em meio ao crescimento dos registros de violência contra a mulher. Dados do Painel Interativo de Violência Contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que Goiás contabilizou 55.689 novos processos até novembro de 2025, superando os 50.042 casos registrados ao longo de todo o ano de 2024.

VEJA AINDA:

No mesmo período, a Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 recebeu 10.297 denúncias e pedidos de orientação no estado, que ocupa a 7ª posição no ranking nacional de violência doméstica. Até o fim de 2025, 60 mulheres foram vítimas de feminicídio em Goiás, repetindo o total do ano anterior. Em 2026, nos quatro primeiros meses, já foi registrado metade desse número, sinalizando nova alta de casos no estado.

Por Mais Goiás

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