
À Nous Le Cinéma! reúne jovens cineastas, educadores e realizadores de 15 países na Universidade Sorbonne Nouvelle, integrantes da rede mundial Cinema, cem anos de Juventude.
Entre os dias 3 e 7 de junho, a Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris, será palco do encontro internacional À Nous Le Cinéma!, que reunirá jovens cineastas, educadores e realizadores de 15 países integrantes da rede mundial ‘Cinema, cem anos de Juventude’. Em 2025, o evento ganha um significado especial ao comemorar os 30 anos da iniciativa, nascida na França em 1995, durante o centenário do cinema.
A participação de escolas públicas brasileiras acontece graças à ação do Programa Imagens em Movimento, que há 15 anos promove oficinas de cinema em escolas públicas. Nesta edição, Sophia Ribeiro e Erik Richard, alunosda Escola Municipal Brant Horta, localizada na Penha Circular, no Rio de Janeiro, foram selecionados para participar presencialmente do encontro. Eles apresentarão e debaterão o curta-metragem de ficção “Axé, Iara”, que foi realizado coletivamente ao longo do ano pelos alunos da escola, inspirado no tema “Indivíduo, Grupo e Comunidade”.
O curta aborda a história de Iara que foi criada dentro da cultura e da tradição do candomblé. Aos 12 anos, ela começa a descobrir que muitos não vêem com bons olhos a sua religião.
No encontro internacional À Nous Le Cinéma!, mais de 500 participantes – entre estudantes, professores e cineastas de diversos contextos culturais e sociais – estarão presentes para compartilhar produções audiovisuais desenvolvidas a partir de uma metodologia pedagógica comum, focada na educação crítica e criativa por meio do cinema.
Para Ana Dillon, diretora do Imagens em Movimento, o evento é uma oportunidade ímpar de valorização da escuta e da expressão dos jovens participantes. “Os estudantes são reconhecidos não apenas como protagonistas dos filmes, mas como verdadeiros autores. Eles compartilham suas vivências e processos criativos com um público extremamente diverso, promovendo o diálogo entre culturas diferentes, a partir de perspectivas singulares”, destaca.
O programa Imagens em Movimento (PIM) é uma iniciativa da ONG Raiar (Rede de Ações e Interações Artísticas), cuja missão é promover a arte e a cultura no âmbito da Educação Pública, com foco em experiências criativas e artísticas vivenciadas através da linguagem audiovisual, contribuindo para o desenvolvimento de práticas educativas inovadoras no ambiente escolar. Criado no Rio de Janeiro, o programa ganhou asas e, desde 2022, se expandiu para outros estados, como São Paulo, Bahia e Espírito Santo. Ao longo de seus 15 anos de história, o PIM já beneficiou quase três mil alunos e 155 educadores no Brasil. Foram realizados 229 filmes nas oficinas de cinema oferecidas para estudantes, que acontecem sempre no contraturno escolar.

“Para mim, representar uma escola da Zona Norte é motivo de muito orgulho e resistência. Muitas pessoas acreditam que estudantes de escola pública não têm futuro, mas eu penso diferente. A escola pública é um lugar de luta, de superação. É verdade que alguns alunos não querem aprender, mas há muitos outros que querem, que têm sonhos e força de vontade. Representar um filme em Paris, na França, é uma experiência única. Eu nunca imaginei que sairia da Penha para ir até Paris. É a minha primeira viagem internacional, e poder apresentar um filme que fala sobre intolerância religiosa, um tema tão importante e presente no Brasil, é emocionante. Existe muito preconceito em relação a várias religiões, e falar sobre isso em outro país é muito significativo para mim. Muita gente acha que os jovens de hoje não se interessam mais pelos estudos, mas existem, sim, aqueles que se dedicam, que têm objetivos. E eu espero que a minha história possa servir de exemplo e inspiração para outros jovens também”, afirma Erik Richard, 12 anos, aluno do 7º ano.
“Eu acho muito importante estar representando Brasil e uma escola pública da Zona Norte. Estaremos representando outras escolas com o projeto e crianças que sonham com a oportunidade de viajarem para outro país. É a realização de um sonho meu e outros também. Esse projeto foi muito importante para mim”, complementa Sophia Ribeiro de Jesus, 13 anos, 7° ano.
Por Estadão

