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Mais de 6,6 mil famílias podem perder moradia por conflito agrário em Goiás

de admin


CRISE FUNDIÁRIA EM GOIÁS

Cerca de 60 acampamentos vivem sob risco iminente de expulsão em Goiás; força-tarefa tenta substituir despejos violentos

Acordo entre órgãos federais e estaduais busca destravar desapropriações paradas e garantir indenizações (Foto: caminandolibertad)

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Inglid Martins

Mais de 6,6 mil famílias podem perder moradia em áreas de conflito agrário em Goiás por conta da demora para ter resoluções nos processos. Atualmente, o cenário fundiário no território goiano é de tensão. São mais de 60 acampamentos espalhados pelo estado, onde milhares de pessoas vivem sob a sombra de ordens de despejo que podem ser executadas a qualquer momento.

Para destravar oito processos fundiários que são considerados prioridade, representantes do Ministério Público de Goiás (MPGO) estiveram em Brasília, na sede do Incra, na terça-feira (14/4), onde participaram de uma reunião decisiva. A intenção é substituir a insegurança e o risco de reintegrações de posse violentas por cronogramas claros de desapropriação e assentamento, garantindo que quem produz no campo tenha, finalmente, a segurança jurídica para trabalhar.

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Foto da reunião
Em mais de 60 acampamentos espalhados pelo estado, o clima é de incerteza (Divulgação MPGO)

Foco nos conflitos de Catalão, Formosa e Piranhas

A força-tarefa que reuniu o Incra, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), o MP e a Defensoria Pública, colocou na mesa casos emblemáticos onde a produção agrícola já é uma realidade, mas a posse da terra ainda é instável:

  • Acampamento Oziel Alves (Catalão): Consolidada desde 2017, a ocupação aguarda que o Incra defina os prazos para a desapropriação. Sem isso, as famílias que já produzem no local enfrentam a ameaça constante de perderem tudo o que construíram em quase uma década.
  • Acampamento Dom Tomás Balduíno (Formosa): Com 218 famílias cadastradas, o processo de desapropriação por interesse social avançou em 2025, mas a imissão na posse e o cronograma de assentamento definitivo ainda dependem de fluxo financeiro do governo federal.
  • Fazenda Tucum (Piranhas): Apesar de estar em fase avançada de compra e venda, o local sofre com entraves jurídicos, como penhoras e irregularidades dominiais, que mantêm os trabalhadores rurais em estado de alerta.
Imagem de uma retirada à força
Famílias do acampamento Oziel Alves, em Catalão, resistem à tentativa de despejo após ação violenta em 2020 (Foto: MST-GO)

A estratégia da autocomposição

De acordo com o promotor de Justiça Márcio Lopes Toledo, o MP-GO tem atuado por meio do Centro de Autocomposição (Compor) para mediar essas crises. O objetivo é garantir que o proprietário da terra receba uma indenização justa e que as famílias de interesse social recebam o título da terra, encerrando ciclos de violência que duram anos.

“Queremos evitar reintegrações de posse violentas e priorizar a negociação”, afirma o promotor. Para as famílias acampadas, o sucesso dessas reuniões em Brasília é a única barreira que os separa da perda total de suas moradias e do sustento que retiram da terra.

A meta agora é pacificar o campo em Goiás por meio de atualizações processuais e recursos orçamentários, transformando ocupações instáveis em assentamentos produtivos e devidamente legalizados.

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Fonte https://www.maisgoias.com.br/cidades/catalao/mais-de-66-mil-familias-podem-perder-moradia-em-areas-de-conflito-agrario-em-goias/

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