Adiar o tarifaço para depois da eleição: patriotismo ou cálculo eleitoral? – Blog Folha do Comercio

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Adiar o tarifaço para depois da eleição: patriotismo ou cálculo eleitoral?

de admin

Quando um líder político pede a uma potência estrangeira que adie uma medida econômica contra o seu próprio país em razão do calendário eleitoral, abre-se um debate inevitável sobre quais interesses estão sendo colocados em primeiro lugar.

Ao solicitar que o governo de Donald Trump deixasse a aplicação do novo tarifaço para depois das eleições brasileiras, Flávio Bolsonaro argumentou que a medida fortaleceria eleitoralmente o presidente Lula. Em outras palavras, o centro da preocupação apresentada não foi o impacto imediato sobre empresas, trabalhadores ou exportadores brasileiros, mas sim o possível efeito político da decisão.

Sob a ótica de seus defensores, trata-se de uma estratégia para evitar que uma crise comercial seja explorada eleitoralmente pelo governo. Já sob a ótica de seus críticos, a iniciativa representa um grave precedente: admitir que decisões econômicas de uma potência estrangeira sejam calibradas conforme o calendário político brasileiro.

A soberania de um país pressupõe que disputas eleitorais sejam resolvidas pelos brasileiros, e não influenciadas por decisões de governos estrangeiros. Quando um político brasileiro pede que outro país altere o momento de uma sanção por causa das eleições, inevitavelmente surge a discussão sobre até onde vai a defesa de um projeto político e onde começa a relativização do interesse nacional.

Independentemente da posição ideológica de cada cidadão, o episódio reforça uma pergunta que permanecerá no debate público: em uma democracia, interesses eleitorais podem justificar pedidos dessa natureza a um governo estrangeiro? Para muitos brasileiros, a resposta é não. Para esses críticos, o interesse nacional deve estar acima de qualquer estratégia de campanha, seja ela de governo ou de oposição.

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