O presidente Lula (PT) planeja reestruturar seu Gabinete Pessoal para o quarto mandato, com o acréscimo de atribuições e a nomeação de uma figura para tratar exclusivamente da agenda privada do petista.
Segundo aliados, uma das propostas em discussão é a transferência para lá da gestão de páginas do presidente nas redes sociais, hoje a cargo da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência).
A expectativa de pessoas próximas a Lula é que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, passe a exercer maior influência na comunicação pessoal do presidente com a transferência de suas redes para o Gabinete Pessoal.
Cogitada e descartada durante a montagem do governo, em 2023, a ideia voltou à mesa depois que Lula se rendeu às selfies na campanha presidencial. Após a vitória no segundo turno, ele anunciou a intenção de se valer do recurso no próximo mandato.
Além da comunicação, estão em estudo alterações no assessoramento pessoal do presidente. A ideia, também segundo aliados, é a nomeação de um secretário particular para organização da agenda privada de Lula. Ao chefe de gabinete, caberia, então, a coordenação da agenda presidencial para exercício das atribuições administrativas, como, por exemplo, a articulação entre seus ministérios.
O argumento em favor da transferência para o Gabinete Pessoal é que, com os seus perfis pessoais sob a gestão de uma assessoria direta, Lula terá maior agilidade para publicação de seus vídeos. Por exemplo, pelas manhãs.
O presidente só recorreu ao formato após resultado desfavorável no primeiro turno. No dia 7 de outubro, logo após chegar em desvantagem ao segundo turno, Lula publicou o primeiro vídeo em forma de selfie. A mudança de tom é apontada como um dos motivos para a virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Posteriomente, ele contou que a primeira-dama sempre foi uma das incentivadoras do uso de selfies, bem como o deputado André Janones (Rede-MG) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles.
Em um discurso, Lula chegou a pedir desculpas a Janja e ao ministro Sidônio Palmeira (Secom) por já não ter incorporado as selfies à sua rotina, apesar da insistência dos dois e de outros aliados.
Não é a primeira vez que a administração das contas pessoais de Lula passa por mudanças. Na campanha eleitoral, seus perfis foram, temporariamente, transferidos para o PT. A intenção foi levar maior contundência ao debate eleitoral, sem as amarras impostas ao governo federal.
Quando administradas pelo governo, as páginas do presidente têm se restringido ao relato de agendas oficiais. Por isso, hoje a intenção é que, ao menos em algumas plataformas, suas contas tenham uma gestão mais direta.
Para a função, aliados apostam em nomes com intimidade com o presidente. Ex-titular da Secom, Paulo Pimenta figura entre os cotados. Ele concorreu ao Senado nas últimas eleições com o objetivo de oferecer um palanque a Lula no Rio Grande do Sul, sendo derrotado na disputa.
Além dele, o ex-prefeito de Osasco e deputado estadual por São Paulo, Emídio de Souza, conta com a simpatia de aliados do presidente para a função. Secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, é cotado para a vaga, tendo o endosso de Janja para a tarefa.
A ideia de profissionalização da cozinha do Palácio ficou evidenciada com o afastamento do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, citado em investigação sobre tráfico de influência por ter recebido pagamentos da lobista Roberta Luchsinger. Ele afirma que os valores eram parte de um empréstimo, quitado recentemente.
Com a eclosão do caso, Márcio Tavares passou a atuar na organização da agenda do presidente. Amigo de Janja, começou a ser lembrado para assumir a chefia de gabinete no quarto mandato.
Aliados do presidente repetem, porém, que o presidente tem evitado antecipar o desenho que planeja para a Esplanada no futuro mandato.
Questionados sobre a possibilidade de reestruturação do gabinete do presidente, assessores do petista afirmaram não ter notícias sobre essas ou outras mudanças na equipe.
