Há uma narrativa que se repete há décadas no Brasil: a de que nossas Forças Armadas são sucateadas, despreparadas e incapazes de defender os interesses nacionais diante das grandes potências mundiais. Essa visão, amplamente difundida por críticos e até por parte da própria população, ignora fatos concretos e alimenta um complexo de inferioridade que não corresponde à realidade.
O Brasil está longe de ser uma potência militar comparável aos Estados Unidos, à China ou à Rússia. Porém, isso não significa que seja militarmente irrelevante. Muito pelo contrário.
Poucos países no mundo possuem capacidade de desenvolver e fabricar equipamentos militares de alta tecnologia. O Brasil é um deles. A indústria nacional produz aeronaves reconhecidas internacionalmente, participa da fabricação dos modernos caças Gripen, desenvolve cargueiros militares que disputam mercado com gigantes globais e constrói fragatas de última geração para a Marinha.
Além disso, o país conduz um ambicioso programa de submarino nuclear, algo reservado a um grupo extremamente seleto de nações. Trata-se de um projeto que exige conhecimento científico, engenharia avançada e capacidade industrial que simplesmente não existem na maioria dos países do planeta.
Outro ponto frequentemente ignorado é a dimensão territorial brasileira. Defender um território continental, com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, exige planejamento, logística e capacidade operacional muito superiores às de muitos países considerados desenvolvidos. A proteção da Amazônia, do litoral atlântico, das fronteiras terrestres e das riquezas minerais e energéticas do país representa um desafio gigantesco.
É evidente que existem problemas. Há limitações orçamentárias, equipamentos que precisam ser modernizados e investimentos que deveriam ser ampliados. Entretanto, uma coisa é reconhecer dificuldades; outra, completamente diferente, é menosprezar a capacidade militar brasileira.
As Forças Armadas do Brasil figuram entre as mais relevantes do Hemisfério Sul e contam com uma das indústrias de defesa mais avançadas do mundo em desenvolvimento. Não se trata de propaganda patriótica, mas de uma constatação baseada em fatos.
Talvez o maior problema não seja a falta de capacidade militar. Talvez seja a insistência de alguns brasileiros em acreditar que tudo o que é nacional vale menos do que aquilo que vem de fora.
Enquanto muitos repetem que o Brasil não produz tecnologia e não possui capacidade estratégica, engenheiros, pesquisadores, militares e empresas brasileiras seguem desenvolvendo aeronaves, navios, sistemas eletrônicos e projetos que colocam o país entre as poucas nações capazes de produzir sua própria defesa.
O Brasil não é uma superpotência militar. Mas também está muito longe de ser o país fraco e dependente que alguns insistem em retratar. E reconhecer isso não é nacionalismo exagerado; é apenas enxergar a realidade.

