
O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou, nesta terça-feira, 9, que os Estados Unidos têm motivos reais para aplicar o novo tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras. Durante um evento de agronegócio em São Paulo, ele culpou diretamente o governo Lula (PT) pela conduta americana.
— Eles têm aquela legislação própria para avaliar onde o Brasil não está cumprindo com as suas responsabilidades. Em relação ao Código Florestal, podemos derrubar isso imediatamente, porque temos os biomas preservados. Mas, ao mesmo tempo, você há de convir que existem dois fatores que eles têm toda razão — alegou Caiado.
Para o adversário do petista, ao contrário do primeiro tarifaço, o relatório recente do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, baseado na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, não tem motivação política. Ele considera que efetivamente o país apresenta falhas no enfrentamento ao crime organizado e no combate à corrupção.
— No momento em que você tem as multinacionais do crime, as maiores do mundo hoje no Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, eles têm todo motivo. E, ao mesmo tempo, a corrupção, sendo que as empresas lá são submetidas a compliance. Ora, se o presidente da República realmente tratasse desses assuntos, ele não teria essas penalidades.
Após a palestra, ele amenizou o tom e disse que não considera justo o tarifaço, que afeta empresas brasileiras e setores considerados estratégicos.
— Não, eu sempre condenei o tarifaço. A Seção 301 não é uma decisão de foro pessoal, é uma ferramenta que o governo tem para levantar situações. O presidente Lula está jogando a imagem do Brasil na sarjeta no momento em que é complacente, conivente com a corrupção e o crime. Se fizer a tarefa de casa, essa tarifa não existirá.
As conclusões do relatório foram divulgadas uma semana após visita do senador Flávio Bolsonaro (PL), outro opositor de Lula, à Casa Branca, mas ele nega ter atuado nesse sentido. A primeira medida, imposta em abril de 2025 e revertida diplomaticamente, contudo, teve a digital da família. Numa carta endereçada ao Brasil, o presidente americano, Donald Trump, condenou o que classificou como uma perseguição a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de estado depois de perder as eleições.
Caiado participou de uma palestra no evento “Agro 360º — o agro na encruzilhada global”, promovido por Brazil Journal e The AgriBiz, com executivos de JBS, Vibra, Mosaic e Rumo, entre outras companhias. Ele aproveitou o perfil do público para também criticar o governo diante do veto da União Europeia à compra de carnes e produtos de origem animal. O Brasil teria deixado de apresentar argumentos suficientes para evitar a barreira comercial.
Vice fora de pauta
Ele também alegou que as reuniões que teve ontem com a direção do PSD abordaram exclusivamente o plano de governo, e não a definição de vice da chapa. Foi o próprio Caiado quem anunciou, na semana passada, em Belo Horizonte (MG), que o assunto seria encaminhado no dia 8 de junho.
— Não teve essa discussão — afirmou Caiado. — Tivemos uma reunião ampla ontem, tratando de vários assuntos, como economia, energia e cultura, com a presença do Roberto Brant, responsável por coordenar o plano de governo. Isso acontece toda segunda-feira.
Segundo ele, a definição ocorrerá apenas no prazo das convenções partidárias. Caiado evitou, da mesma forma, antecipar a possibilidade de uma composição com Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, atualmente colocado na disputa e que implodiu pontes com a campanha de Flávio Bolsonaro ao criticá-lo pelas relações mantidas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
— Veja, esse é um assunto que caminha até o dia da convenção. Ninguém descarta nada, ninguém convalida nada, muito menos se exclui essa possibilidade. A gente precisa debater agora o que está criando ansiedade na população. Ela quer saber como vamos combater o crime e a corrupção.
Por Mais Goiás

