
Preso nesta terça-feira (26) durante operação da Polícia Civil (PC) contra desvios na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia, o vereador Zander Fábio (Podemos), de 53 anos, acumula processos e polêmicas ao longo da vida pública. Natural de Anicuns, o ex-piloto da Fórmula 200 e geógrafo formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), é investigado por corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato em esquema que desviou R$ 1,5 milhão ao longo de 2024 – ano em que deixou o cargo de secretário de cultura sob gestão do ex-prefeito Rogério Cruz Cruz para tentar uma vaga na Câmara de Goiânia. Ele assumiu a pasta em 2021.
Zander, que já foi eleito vereador em outras duas eleições, assumiu o terceiro mandato em abril de 2026, após a licença da vereadora Leia Klébia (Podemos) por interesse particular. A vereadora retomou o posto depois da prisão do 1º suplente, que obteve 3.282 votos nas eleições municipais.
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O ex-secretário iniciou na política coordenando órgãos públicos. Ele foi diretor financeiro da extinta Companhia de Obras do Município (Comob), diretor administrativo e financeiro da Junta Comercial do Estado de Goiás (JUCEG) e diretor financeiro da Câmara de Goiânia.
Condenações de Zander Fábio
Em 2014, o político foi condenado a nove anos pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) por peculato. A condenação se refere a um esquema de desvio de verbas na Comob, da qual ele foi diretor em 2000. Além dele, o antigo diretor do órgão, o ex-vereador Amarildo Pereira, também foi condenado a 11 anos pelos mesmos crimes.
Seis anos depois, Zander voltou a ser condenado por fraudes na emissão de ingressos do Parque Mutirama. Na ocasião, a juíza Placidina Pires também sentenciou o ex-presidente da Agência Municipal de Turismo (Agetul), Dário Paiva Neto, e o ex-diretor financeiro do Parque Mutirama, Geraldo Magela, e mais seis pessoas pelo esquema.
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Corrupção no Mutirama
A magistrada argumentou na época que os envolvidos integravam uma organização criminosa destinada a desviar dinheiro público por meio de falsificação dos ingressos e de planilhas contábeis. O valor que pode ter sido desviado pela organização entre 2014 e 2017 chega a R$ 2 milhões.
A magistrada apontou Zander como ocupante de cargo de liderança na organização, condenando o parlamentar a 12 anos e sete meses de prisão. O parlamentar e os demais sentenciados recorreram da decisão e respondem em liberdade.
O Mais Goiás tenta contato com a defesa de Zander.
Preso dentro de igreja
Zander foi preso pela Polícia Civil (PC) durante uma missa na Igreja Matriz de Campinas, em Goiânia. Além dele, também foram presos Elton da Silva Nogueira e Jean de Jesus Magno Lima e Silva, diretor e presidente de um clube na capital. Todos são investigados por associação criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro no esquema que desviou R$ 1,5 milhão da prefeitura por meio de serviços e contratos sem licitação.
Além dos mandados de prisão, a PC cumpriu ainda 13 ordens judiciais de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Equipes, inclusive, miraram o escritório do ex-vereador Leandro Sena, no setor Novo Horizonte, em Goiânia. Até o momento, não foram divulgadas acusações formais contra o ex-parlamentar nem detalhamento sobre o material recolhido.
A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e determinou a proibição de contratação com o poder público. O Mais Goiás tenta localizar a defesa dos envolvidos.
Esquema na Secult Goiânia
A investigação apura suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos destinados a eventos culturais realizados durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (PA). De acordo com a PC, as investigações identificaram indícios da existência de uma associação criminosa formada por agentes públicos e particulares para direcionamento de recursos destinados à realização de eventos culturais e exposições de carros antigos.
O montante sob apuração chega a aproximadamente R$ 1,5 milhão, distribuído em 41 operações financeiras realizadas ao longo de 2024. As empresas que receberam os recursos, conforme a corporação, não apresentaram estrutura operacional compatível com os contratos firmados e teriam ligação com os responsáveis pela entidade organizadora dos eventos.
A suspeita é que parte do dinheiro retornasse aos investigados por meio de pagamentos diretos e indiretos, inclusive para despesas particulares. As diligências seguem em andamento e novas informações poderão ser divulgadas ao longo do dia.
Por Mais Goiás





