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BRB aprova aumento de capital de até R$ 8,8 bi após rombo deixado pelo Master

Acionista controlador do BRB, governo do Distrito Federal não tem dinheiro em caixa para aporte e busca alternativas

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BRB aprova aumento de capital de até R$ 8,8 bi após rombo deixado pelo caso Master (Foto: Agência Brasília)

Os acionistas do BRB (Banco de Brasília) aprovaram nesta quarta-feira (22), em assembleia geral extraordinária, aumento de capital social da instituição de até R$ 8,8 bilhões. A ação busca cobrir o rombo deixado por operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Votaram pela aprovação o governo do Distrito Federal, que possui fatia de 56,48% das ações ordinárias do BRB, e o Iprev-DF (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal), com 18,73%. Já a ANEABRB (Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionista do BRB), com 13,55%, foi contra a proposta.

A decisão favorável contou com votos de 84,73% do total (mais de 240 milhões de ações ordinárias), contra 15,27% pela rejeição (superior a 43 milhões de ações ordinárias). Em uma breve fala no encerramento da reunião, o presidente do BRB, Nelson de Souza, manifestou o desejo de deixar o banco “cada vez mais sólido”.

Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa (Foto: Agência Brasília)
Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa (Foto: Agência Brasília)

Na assembleia, foi autorizada uma mudança no estatuto do banco para permitir o aumento de capital, com elevação do limite de ações para 2,5 bilhões, ante 720 milhões na versão anterior.

Conforme a proposta em discussão, a oferta de ações do BRB será feita por meio de subscrição privada, modelo em que a compra só pode ser efetivada por quem já integra a base de acionistas do banco.

O aporte sugerido aos acionistas do banco é de até R$ 8,817 bilhões, com subscrição mínima de R$ 536 milhões. Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Considerando o valor mínimo, ele subirá para R$ 2,88 bilhões. No caso do máximo, o capital saltará para R$ 11,161 bilhões.

O banco é organizado sob a forma de sociedade de economia mista, de capital aberto, e seu acionista controlador é o governo do Distrito Federal, com 53,71% das ações totais.

O Distrito Federal, porém, não tem os recursos necessários em caixa para fazer o aporte no banco e recorre a um processo de captação. Para não ter sua participação diluída, o governo de Celina Leão (PP) terá de aportar, no caso do valor máximo, cerca de R$ 5 bilhões no BRB.

Em março, foi sancionada uma lei autorizando o governo distrital a executar ações para socorrer o banco, como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou instituições financeiras.

Governadora do DF, Celina Leão (Foto: Divulgação)

Na assembleia, foi dada autorização para o conselho de administração do BRB praticar todos os atos necessários à implementação do aumento de capital.

Os acionistas também homologaram a nomeação para o conselho de administração do atual presidente do BRB, Nelson de Souza, além de Joaquim Lima de Oliveira e de Sergio Iunes Brito.

A reportagem da Folha acompanhou a assembleia na condição de acionista, como detentora de uma única ação fracionada, e se absteve na votação sobre todos os itens da pauta. A participação acionária dessa dimensão não é suficiente para interferir no resultado da assembleia, que teve a votação de acionistas detentores de mais de 284 milhões de ações ordinárias do BRB.

Antes da votação, o advogado Fernando Kuyven disse em nome da ANEABRB e da AABR (Associação Atlética do Banco de Brasília) que as associações reconheciam a necessidade do aporte no banco, mas eram contrárias ao modelo de capitalização escolhido.

Ele, então, solicitou a suspensão dos itens da pauta relativos ao aumento da capital, sob o argumento de “insuficiência informacional estruturante”, citando, entre outros fatores, ausência do balanço auditado de 2025 e falta de laudo independente sobre o preço de emissão de ações.

Nelson Antônio Souza, novo presidente do BRB (Foto: Divulgação)

O BRB deveria ter divulgado seus resultados até 31 de março, mas desrespeitou o prazo legal para companhias de capital aberto. Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido.

“O que nós entendemos é que não há como se deliberar um aumento de capital sem saber o valor do prejuízo, sem saber o valor que vai ser necessário, sem ter números auditados”, afirmou.

Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Master. Apenas uma parcela desse prejuízo foi recuperada pelo banco.

Por Mais Goiás

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