{"id":354328,"date":"2026-03-30T04:32:25","date_gmt":"2026-03-30T07:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfolhadocomercio.com.br\/wp\/2026\/03\/30\/criminalizar-a-misoginia-mobilizou-os-misoginos-30-03-2026-encaminhado-com-frequencia\/"},"modified":"2026-03-30T04:32:27","modified_gmt":"2026-03-30T07:32:27","slug":"criminalizar-a-misoginia-mobilizou-os-misoginos-30-03-2026-encaminhado-com-frequencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfolhadocomercio.com.br\/wp\/2026\/03\/30\/criminalizar-a-misoginia-mobilizou-os-misoginos-30-03-2026-encaminhado-com-frequencia\/","title":{"rendered":"Criminalizar a misoginia mobilizou os mis\u00f3ginos &#8211; 30\/03\/2026 &#8211; Encaminhado com Frequ\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\" data-age-rating=\"\" itemprop=\"articleBody\">\n<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (24), o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/senado\/\">Senado<\/a> aprovou por unanimidade o <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/156025\" target=\"_blank\">PL 896\/2023<\/a>, que equipara a misoginia ao crime de racismo. Os 67 senadores presentes votaram a favor, sem nenhum voto contr\u00e1rio. Enquanto a relatora <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/soraya-thronicke\/\">Soraya Thronicke (Podemos-MS)<\/a> lembrava que s\u00f3 em 2025 o Brasil registrou quase 7.000 v\u00edtimas de tentativas de feminic\u00eddio, a autora do projeto, Ana Paula Lobato (PDT-MA), denunciou ter sofrido amea\u00e7as de morte e estupro que recebera por defender a proposta. A pr\u00f3pria relatora informou tamb\u00e9m ter sido v\u00edtima de amea\u00e7as ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2026\/03\/entenda-o-que-muda-com-projeto-que-inclui-a-misoginia-na-lei-do-racismo.shtml\">PL da Misoginia<\/a>. \u00c9 interessante observar que o projeto que busca coibir o \u00f3dio contra mulheres desencadeou uma s\u00e9rie de ataques nas redes sociais. O projeto agora segue para a C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Segundo os dados da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/palver\/\">Palver<\/a>, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos p\u00fablicos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/whatsapp\/\">WhatsApp<\/a> e Telegram, o tema repercutiu nas redes imediatamente ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o. No dia seguinte \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, o volume de mensagens sobre o projeto de lei triplicou em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio dia do voto. Os dois dias posteriores \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o reuniram, juntos, quase 63% de todas as mensagens monitoradas sobre o tema no per\u00edodo. A vota\u00e7\u00e3o foi tema de intenso debate, e a rea\u00e7\u00e3o, por parte da direita, deu-se de forma organizada.<\/p>\n<p>Entre as mensagens com posicionamento identific\u00e1vel, a divis\u00e3o foi quase sim\u00e9trica, com cerca de 48% contra o projeto e 52% a favor. Mas os enquadramentos se deram com estrat\u00e9gias distintas. A narrativa cr\u00edtica ancorou-se, de forma dominante, no argumento da censura. Nesta linha, em cerca de 65% das mensagens contr\u00e1rias a preocupa\u00e7\u00e3o central era a suposta amea\u00e7a \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Esse argumento ganhou maior proje\u00e7\u00e3o quando <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nikolas-ferreira\/\">Nikolas Ferreira (PL-MG)<\/a> classificou a proposta como &#8220;aberra\u00e7\u00e3o&#8221; e prometeu derrub\u00e1-la na C\u00e2mara. Chegou a circular nas redes uma vers\u00e3o adulterada do texto, que foi desmentida e deletada ap\u00f3s repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 central tamb\u00e9m na literatura sobre a &#8220;machosfera&#8221;, termo que faz refer\u00eancia a um conjunto de comunidades nas quais homens se unem com o intuito de se proteger do que acreditam ser um privil\u00e9gio estrutural das mulheres. Estudo do <a href=\"https:\/\/desinfopop.org\/\" target=\"_blank\">DesinfoPop\/FGV<\/a>, publicado no \u00faltimo dia 24, baseado num mapeamento de 85 comunidades masculinistas brasileiras no Telegram, identificou que pol\u00edticas de g\u00eanero s\u00e3o sistematicamente reapresentadas como &#8220;amea\u00e7as aos homens&#8221; ou evid\u00eancias de &#8220;captura feminista do Estado&#8221;. A pesquisa analisou mais de 7 milh\u00f5es de conte\u00fados publicados entre 2015 e 2025 e conclui que as leis de enfrentamento \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/violencia\/\">viol\u00eancia<\/a> contra mulheres, principalmente a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2026\/03\/lei-maria-da-penha-que-completa-20-anos-em-2026-passou-por-ao-menos-18-mudancas-legislativas.shtml\">Lei Maria da Penha<\/a>, mas n\u00e3o apenas, s\u00e3o alvo de ataques recorrentes dentro dessas comunidades.<\/p>\n<p>Por outro lado, a narrativa de apoio ao projeto de lei organiza-se em torno da viol\u00eancia real. Segundo os dados da Palver, cerca de 10% de todas as mensagens monitoradas sobre o tema fazem refer\u00eancia simult\u00e2nea ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/feminicidio\/\">feminic\u00eddio<\/a> e \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. Soraya Thronicke sintetizou uma parcela da rea\u00e7\u00e3o negativa, apontando que o pa\u00eds odeia mais a palavra &#8220;feminismo&#8221; do que &#8220;feminic\u00eddio&#8221;.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o un\u00e2nime no Senado, reunindo esquerda, direita e centro, \u00e9 politicamente incomum. Nenhum senador votou contra, incluindo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/flavio-bolsonaro\/\">Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a>, pr\u00e9-candidato \u00e0 Presid\u00eancia, e que vem tentando se posicionar de forma moderada visando o eleitorado mais ao centro. A estrat\u00e9gia pragm\u00e1tica, mesmo sendo compreendida por uma parte dos apoiadores, foi criticada pela base mais radical, que o trata como traidor. O PL ainda tem longa caminhada pela C\u00e2mara, e a principal batalha certamente se dar\u00e1 na tentativa de evitar que as narrativas polarizem a opini\u00e3o p\u00fablica e, dessa forma, pressionem os pol\u00edticos n\u00e3o pela racionalidade que o tema exige, mas pelas quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, principalmente por se tratar de um ano eleitoral.<\/p>\n<div>\n<div data-newsletter-simple=\"\" data-subscript=\"2484\" data-message=\".js-message\" data-button=\".js-button\" data-email=\".js-email\" class=\"c-newsletter rs_skip rs_preserve\">\n<h4 class=\"c-section-title c-section-title--brand c-section-title--small-spaced\">Colunas<\/h4>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o de colunas da Folha<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<div>\n<p class=\"c-context__content\">\n    <strong>LINK PRESENTE:<\/strong> Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. 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