O governo federal sancionou a lei que proíbe, em todo o país, a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (24) e tem como principal impacto a retirada do foie gras do mercado brasileiro.
Considerado uma iguaria da gastronomia francesa, o foie gras é produzido a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva para aumentar o órgão muito além de seu tamanho natural. A nova legislação impede tanto a fabricação quanto a venda do produto, seja fresco ou industrializado. No mercado, o produto é vendido por cerca de R$ 1.700 o quilo.
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A técnica utilizada, conhecida como gavage, consiste na introdução de um tubo pela garganta da ave até o esôfago para fornecer grandes quantidades de alimento. O procedimento costuma ser repetido duas vezes ao dia durante as semanas que antecedem o abate.
Segundo especialistas e defensores da causa animal, o método provoca intenso sofrimento às aves. O fígado pode atingir até dez vezes o tamanho considerado normal, o que provoca dores, alterações metabólicas e dificuldades para dissipar calor. Quando o procedimento é realizado de forma inadequada, também podem ocorrer lesões no esôfago e em outros órgãos.
Punição
A lei prevê punições para quem descumprir a norma. As penalidades seguem a Lei de Crimes Ambientais, que estabelece detenção de três meses a um ano, além da aplicação de multa em casos de maus-tratos contra animais.
Durante a tramitação do projeto, o relator da proposta na Câmara dos Deputados, Fred Costa (PRD-MG), afirmou no texto que a alimentação forçada pode elevar significativamente a mortalidade das aves, chegando a índices até 25 vezes superiores aos registrados em criações convencionais.
Atualmente, não existe uma alternativa comercialmente consolidada para produzir foie gras sem recorrer à alimentação forçada, embora pesquisadores desenvolvam tecnologias baseadas no cultivo de células em laboratório e em produtos de origem vegetal para reproduzir características semelhantes.
Com a sanção presidencial, o Brasil passa a integrar o grupo de países que restringem esse tipo de produção. A Índia foi a primeira nação a proibir tanto a fabricação quanto a comercialização de produtos obtidos por alimentação forçada. Outros países, como Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina, também adotam restrições à produção do foie gras.
O projeto que deu origem à nova lei foi apresentado no Senado há seis anos e, durante sua tramitação no Congresso Nacional, foi aprovado em caráter conclusivo pelas comissões, sem necessidade de votação em plenário.
Fonte https://www.maisgoias.com.br/brasil/maus-tratos-brasil-proibe-producao-e-venda-de-foie-gras/
