A Névoa da Política Não Pode Servir Para Encobrir Crimes – Blog Folha do Comercio

Home Crime A Névoa da Política Não Pode Servir Para Encobrir Crimes

A Névoa da Política Não Pode Servir Para Encobrir Crimes

Nos últimos anos, o Brasil mergulhou em um ambiente de polarização tão intenso que muitos cidadãos passaram a analisar fatos não pela sua gravidade, mas pela conveniência política de quem está envolvido. Em meio a esse cenário, surge uma prática perigosa para a democracia: transformar acusações criminais em supostos atos de perseguição política antes mesmo de discutir as provas e os fatos.

de admin

A política funciona, muitas vezes, como uma espécie de névoa que dificulta a visão da sociedade. Quando um político é investigado, denunciado ou condenado, parte de seus apoiadores imediatamente abandona a análise objetiva do caso para enxergar apenas um ataque ao seu grupo ideológico. O resultado é que o debate jurídico desaparece e dá lugar à militância.

Não importa se o investigado é de direita, esquerda ou centro. O princípio deve ser o mesmo para todos. Se houve crime, deve haver responsabilização. Se não houve crime, deve haver absolvição. O que não pode existir é a substituição da Justiça pela torcida organizada.

Quando um cidadão comum comete uma fraude, invade um sistema, desvia recursos públicos ou pratica qualquer outro delito, dificilmente encontra multidões dispostas a defendê-lo. Mas quando o acusado ocupa um cargo político, muitos passam a enxergar o processo não pelos atos praticados, mas pela bandeira partidária que ele carrega.

Esse comportamento enfraquece as instituições e cria um precedente perigoso. Afinal, se todo político investigado puder se esconder atrás do discurso da perseguição política, qualquer responsabilização passará a ser vista como ilegítima. A consequência é a construção de uma espécie de imunidade informal para aqueles que conseguem mobilizar seguidores suficientes.

A democracia depende de um princípio simples: ninguém está acima da lei. Nem governantes, nem parlamentares, nem juízes, nem empresários, nem líderes partidários. A Justiça deve agir baseada em provas, e a sociedade deve avaliar os fatos com racionalidade, não com paixão ideológica.

O Brasil precisa aprender a separar o político do cidadão. Defender o direito de alguém ao devido processo legal é uma coisa. Transformar qualquer investigação ou condenação em perseguição política, sem sequer analisar os fatos, é outra completamente diferente.

A verdadeira defesa da democracia não está em proteger políticos. Está em proteger a lei. Porque quando a política se transforma em uma névoa capaz de esconder crimes, quem perde não é a direita nem a esquerda. Quem perde é o próprio país.

Você pode interessar!