Mas será que essa guerra é realmente tão espontânea quanto parece?
Talvez a pergunta mais importante que o eleitor brasileiro deva fazer seja: quem ganha com essa divisão permanente?
A resposta é simples: os próprios grupos políticos que dominam o debate nacional.
Enquanto militantes brigam nas redes sociais, rompem amizades e transformam adversários políticos em inimigos pessoais, as lideranças de ambos os lados continuam ocupando o centro das atenções. Quanto maior o conflito, menor o espaço para o surgimento de novas lideranças, novas ideias e novos projetos para o país.
A polarização se tornou um negócio extremamente lucrativo do ponto de vista político. Ela garante votos, mobiliza apoiadores, gera audiência, arrecada recursos e mantém as estruturas de poder funcionando. O medo do adversário virou uma ferramenta eleitoral poderosa.
O eleitor de esquerda é constantemente alertado de que a volta da direita representa uma ameaça à democracia. O eleitor de direita, por sua vez, é convencido de que a permanência da esquerda levará o país ao desastre econômico e moral. Em ambos os casos, o medo substitui o debate racional.
E quando o medo domina a política, a liberdade de escolha desaparece.
O resultado é um país que discute mais pessoas do que projetos. Mais paixões do que soluções. Mais slogans do que resultados.
Enquanto isso, problemas reais continuam esperando respostas: a baixa qualidade da educação, a violência urbana, a burocracia que sufoca empresários, a carga tributária elevada, a corrupção, a precariedade da infraestrutura e a dificuldade de gerar empregos de qualidade.
O Brasil precisa voltar a discutir propostas, e não torcidas organizadas.
Nenhum político deve ser tratado como salvador da pátria. Nenhum líder deve ser considerado acima de críticas. A democracia saudável depende de cidadãos capazes de fiscalizar todos os governantes, independentemente do partido que ocupam.
O eleitor inteligente não vota por amor. Também não vota por ódio. Vota por resultados.
A verdadeira independência política começa quando o cidadão deixa de ser militante de políticos e passa a ser militante dos próprios interesses, dos interesses de sua família e dos interesses do país.
Talvez o maior desafio do Brasil não seja derrotar a esquerda ou derrotar a direita.
Talvez o verdadeiro desafio seja derrotar a ideia de que só existem essas duas opções.
Quando o eleitor compreender isso, a política brasileira poderá finalmente voltar a servir ao povo, e não apenas aos grupos que sobrevivem da divisão permanente da sociedade.
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