
O deputado federal e ex-Secretaria Especial da Cultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mário Frias (PL-SP) defendeu o senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens trocadas entre o pré-candidato à Presidência da República e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo Frias, produtor executivo do filme Dark Horse, Flávio, que aparece em áudios pedindo dinheiro ao banqueiro, não tem relação com a produção da obra.
“O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio”, escreveu Frias, no Instagram.
O longa-metragem é descrito por Frias como “uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional”.
“Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas”, escreveu Frias.
Frias também afirmou que a produtora responsável pelo filme não recebeu “um único centavo do sr. Daniel Vorcaro”. No entanto, ao se manifestar em nota sobre o caso, Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado o banqueiro em busca de um patrocínio para a obra. No texto, o senador destacou ainda que o contato foi feito “quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.
O publicitário Thiago Miranda, que articulou uma operação de defesa do Banco Master por meio de influenciadores nas redes sociais, intermediou a negociação que levou Daniel Vorcaro a aportar R$ 62 milhões no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O que diz Flávio Bolsonaro
Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira, Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com o banqueiro, mas acrescentou se tratar de uma relação privada. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, diz o texto do pré-candidato.
Na nota, o senador acrescenta ainda ter conhecido Vorcaro em 2024, quando o governo do pai já havia terminado. Ele afirma que, naquele momento, ainda não existiam “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. Flávio Bolsonaro volta no texto a defender a instauração de uma CPI do Master.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, diz Flávio.
Pedido de Flávio a Vorcaro
Como revelou o site “The Intercept”, Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro uma ajuda para efetuar novos pagamentos que ajudassem o filme. O acordo entre eles já havia rendido transferências de R$ 62 milhões. O Master não apareceria formalmente como patrocinador do longa.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro.
Em outra mensagem — enviada na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, Flávio sinalizou proximidade com o dono do Master.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, enviou.
Por Mais Goiás





