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Quatro pessoas são condenadas por desabamento de rampa que deixou mais de 70 feridos no Rap Mix, em 2023

Rampa que cedeu funcionava como ponte entre a arquibancada e o campo. Sob ela havia um vão de aproximadamente cinco metros de altura

de admin

Imagem aérea mostra estrutura que desabou no dia do evento

A Justiça condenou quatro profissionais considerados responsáveis pela montagem da rampa que desabou durante o Rap Mix Festival, realizado em 2023, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. O acidente deixou 77 pessoas feridas após a queda de uma estrutura metálica que ligava a arquibancada ao gramado. A sentença foi proferida pelo juiz Luciano Borges da Silva, da 8ª Vara Criminal dos Crimes Punidos com Reclusão e Detenção.

Os condenados são: o engenheiro Alex José de Rezende, o arquiteto Enio Gonçalves Lois, o gestor do processo de montagem, Deives Rogério Vono, e o projetista José Miguel Miranda Gomes. Eles foram responsabilizados por lesão corporal culposa. As penas, no entanto, foram convertidas em prestação pecuniária, modalidade que substitui a prisão pelo pagamento de valores às vítimas, seus dependentes ou entidades sociais. Os montantes ainda serão definidos pela Justiça.

SAIBA MAIS:

A queda ocorreu em uma rampa que funcionava como ponte entre a arquibancada e o campo, sob a qual havia um vão de aproximadamente cinco metros de altura. Quando a estrutura cedeu, dezenas de pessoas despencaram no espaço. Um laudo da Polícia Técnico-Científica concluiu que o acidente foi provocado por uma montagem improvisada.

A estrutura fazia parte do conjunto contratado pela Winner Records e Mídia, responsável pela organização do festival. A empresa terceirizou o serviço para a Feel Loc Participações e Locação de Equipamentos, que, por sua vez, subcontratou a Reinaldo Mendes Bicudo EPP, encarregada do fornecimento dos materiais, do aluguel e da mão de obra. Os quatro condenados estavam ligados a essas empresas, que também respondem a ações cíveis movidas por vítimas do desabamento.

Durante o processo, as defesas apresentaram versões diferentes das apontadas pela perícia. Os réus afirmaram que uma possível sobrecarga no momento do evento poderia ter causado a queda. José Miguel declarou que apenas fornecia equipamentos conforme projetos de terceiros; Alex disse não ser responsável por pisos e rampas, apenas pelas demais estruturas; Enio confirmou ter projetado a rampa, mas alegou que ela sofreu alterações de inclinação e extensão na montagem; já Deives afirmou ter apenas indicado o ponto de partida da estrutura.

As defesas ainda podem recorrer da decisão. A reportagem não conseguiu contato com os representantes dos condenados, mas mantém o espaço aberto para manifestação do contraditório.

Acidente

Conforme mostrado pelo Mais Goiás, a estrutura se rompeu por volta das 23h16. Com a queda, houve mobilização do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e brigadistas para realizar os primeiros socorros das vítimas.

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O Corpo de Bombeiros informou que a maioria dos atendidos teve escoriações, mas que parte significativa das vítimas tiveram ferimentos mais graves, como fraturas expostas e traumatismo cranioencefálico. Elas foram encaminhadas para diferentes hospitais. Dentre eles: o Hospital Estadual de Urgências de Goiás (HUGO), o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), o Hospital Ortopédico de Goiânia (HOG), o Hospital de Acidentados, o Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada (HEAPA) e a Unidade de Pronto Atendimento da Chácara do Governador.

A rampa que desabou dava acesso ao front stage. Vídeos registrados à época mostram uma grande quantidade de pessoas transitando entre um local e outro minutos antes do desabamento.

Por Mais Goiás

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