No caminho da Microsoft e Google, Amazon anuncia processador quântico; brasileiro Fernando Brandão é um dos responsáveis pelo projeto
A Amazon revelou seu primeiro chip de computação quântica e afirmou que seu design vai ajudar empresas a construir sistemas de hardware “altamente eficientes”. O processador se chama Ocelot, e veio em um momento em que mais empresas de tecnologia destacam seus avanços na computação quântica. O projeto foi liderado pelo brasileiro Fernando Brandão, atual diretor de ciência aplicada da Amazon Web Services (AWS).
Na semana passada, a Microsoft inaugurou sua participação nesse mercado, ao apresentar o Majorana 1. A gigante publicou um artigo na revista Nature onde documentou seu trabalho na área. A Amazon repetiu o gesto.

Especialistas em tecnologia acreditam que os computadores quânticos sejam capazes de resolver problemas que desafiam a computação clássica.
PCs e smartphones realizam cálculos e armazenam dados por meio de bits binários – representados por 0 ou 1 – enquanto na computação quântica, os qubits (ou bits quânticos), podem assumir inúmeros estados entre 0 e 1. Esse fenômeno se chama superposição e aumenta exponencialmente a quantidade de dados que podem ser processados ao mesmo tempo.
“Acreditamos que escalar o Ocelot para um computador quântico completo, capaz de um impacto transformador na sociedade, exigiria apenas um décimo dos recursos necessários para as abordagens mais comuns, ajudando a aproximar a era da computação quântica prática”, escreveram Fernando Brandão, diretor de ciência aplicada da Amazon Web Services (AWS), e Oskar Painter, chefe de hardware quântico do grupo de computação em nuvem, em um blog.
Empresas como a IBM, Microsoft e Google buscam tornar os qubits tão confiáveis quanto os bits binários há anos. A preocupação dessas empresas é que essa tecnologia ainda é bem delicada e sensível a ruídos, o que pode criar erros ou perder informações.
Portanto, há um número mágico de qubits para que os processadores – mesmo que com erros – funcionem: um milhão. A Microsoft diz que o Majorana 1 deve potencialmente acomodar essa quantidade de qubits.
O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou em 2020, quando ainda liderava a AWS, que a companhia estava “otimista de que, no futuro, a computação quântica terá um papel importante” ao passo que o armazenamento e serviços em nuvem se tornam mais relevantes para gigantes da tecnologia e até da administração pública.
Meio ano após essa declaração, a AWS lançou o serviço Amazon Braket, no qual permitia desenvolvedores experimentar computadores quânticos de outras empresas, inclusive da IonQ e da Riggetti Computing, líderes do setor. Analistas especulam que a Amazon planeja disponibilizar seu chip quântico próprio no Braket.
Em 2023, Peter DeSantis, vice-presidente sênior da AWS, prometeu mais detalhes no futuro sobre a construção de um processador quântico durante a conferência Re:invent do grupo de computação em nuvem, em Las Vegas.
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Assim como a Microsoft, a gigante de Jeff Bezos produziu seu chip internamente, mas construir um sistema com um milhão de qubits exige a colaboração dos principais fabricantes de semicondutores do mundo. A terceirização para um parceiro não é descartada, embora dependa do avanço da própria Amazon.
Um exemplo da funcionalidade da computação quântica foi apresentada pelo Google em dezembro de 2024. Na ocasião, a gigante afirmou que seu processador, o Willow, é capaz de resolver em cinco minutos um problema matemático que um supercomputador clássico demoraria 10 septilhões de anos.
Por Estadão