Empresa bancada por filho de Trump mira terras raras de MG – 25/09/2026 – Infraestrutura – Blog Folha do Comercio

Home Brasil Empresa bancada por filho de Trump mira terras raras de MG – 25/09/2026 – Infraestrutura

Empresa bancada por filho de Trump mira terras raras de MG – 25/09/2026 – Infraestrutura

de admin



Brasília


Uma empresa americana financiada por um fundo que tem Donald Trump Jr. como sócio está montando uma cadeia de fornecimento de terras raras com um dos maiores empreendimentos desse setor no Brasil, o chamado Projeto Caldeira, localizado no sul de Minas Gerais.

Conforme informações reunidas pela Folha, a mineradora responsável pelo projeto, Meteoric Resources, já enviou amostras do material à companhia Ucore Rare Metals, que pretende abastecer uma fábrica americana de ímãs que tem o filho do presidente americano como investidor.


Sete projetos querem explorar terras raras nas imediações da área de proteção ambiental da Pedra Branca, na região dos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas (MG)

–
Fernando M. Fernandes – 27.fev.26

A Meteoric Resources é uma empresa australiana que se movimenta para explorar terras raras nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais.

Em agosto de 2024, a mineradora assinou um memorando de entendimentos com a canadense Ucore Rare Metals, que vai processar terras raras no estado americano da Louisiana.

Nessa fábrica, a Ucore vai separar os elementos de terras raras, transformando a mistura recebida da mineradora em óxidos que podem ser usados pela indústria. O projeto Caldeira deve fornecer pelo menos 3.000 toneladas anuais.

A ligação com Donald Trump Jr. surgiu em agosto de 2025, quando a 1789 Capital, fundo do qual ele é sócio, investiu na Vulcan Elements, uma empresa americana especializada na fabricação de ímãs usados em drones, satélites, equipamentos militares, semicondutores e carros elétricos.

Em março de 2026, a fabricante assinou um memorando com a Ucor. O acordo prevê uma fase de testes com amostras. Esses testes já estão em andamento, para iniciar o fornecimento comercial pela Ucore a partir de 2027.

Em 11 de junho deste ano, a Meteoric afirmou ao mercado australiano que sua unidade em Minas Gerais havia processado 43 toneladas de minério de Caldeira e produzido mais de 200 quilos de concentrado de terras raras.

Parte do material foi enviada para testes de qualidade a possíveis compradores, entre eles a Ucore. A mineradora classificou os resultados da planta piloto como “excepcionais” e disse ter conseguido extrair, em média, 71% dos elementos usados na fabricação de ímãs presentes no minério processado.

Segundo a Meteoric, o projeto reúne 78 títulos minerários e de pesquisa, numa área total de 19,2 mil hectares, equivalente a cerca de 192 quilômetros quadrados. A companhia estima 1,6 bilhão de toneladas de material a ser investigado.



Donald Trump Jr., filho do presidente dos EUA, durante evento do Partido Republicanono estado do Texas

–
Callaghan O’Hare – 10.set.26/Reuters

A Meteoric projeta ainda uma operação de mais de 20 anos, com produção média de 12.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras. Desse total, 3.000 toneladas seguiriam para a Ucore, parceira da companhia financiada por Donald Trump Jr.

A exploração comercial ainda não começou. A Meteoric mantém a unidade piloto em funcionamento e pediu, em maio de 2026 a licença de instalação necessária para avançar na implantação da operação.

O acordo entre Meteoric e Ucore é anterior à sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , do projeto de lei nº 2.780/2024, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras.

A nova lei prevê análise federal de acordos internacionais de fornecimento que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do país.

A aplicação da nova regra a um eventual contrato definitivo de fornecimento assinado entre a Meteoric e a Ucore pode ser questionada pelo governo.

Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões

A ROTA DAS TERRAS RARAS

O interesse da família Trump nas terras raras não se limita à defesa industrial dos Estados Unidos e sua dependência do processamento, que hoje está concentrado na China. Mas mira o desenvolvimento de produção própria em solo americano.

A rota projetada começa com a extração e a produção de carbonato misto de terras raras em Minas Gerais. A Ucore pretende receber esse material e separar seus elementos na Louisiana, nos EUA.

Por fim, a Vulcan, que recebe dinheiro de Trump Jr. por meio do fundo 1789 Capital, quer comprar esse produto da Ucore para fabricar ímãs na Carolina do Norte, também nos EUA.

A ProPublica, organização jornalística independente dos Estados Unidos, revelou em maio deste ano que o pedido para acelerar a análise do financiamento partiu de Peter Navarro, assessor da Casa Branca e amigo de Trump Jr.

A Vulcan Elements recebeu apoio do governo americano para ampliar essa produção. Em 2025, o Pentágono comunicou um compromisso condicional de empréstimo de US$ 620 milhões (R$ 3,22 bilhões) à empresa. Na ocasião, o filho do presidente, a 1789 Capital e o Pentágono negaram que a relação política tenha influenciado a decisão.

No Brasil, reportagem publicada pelo site Amado Mundo, em 21 de setembro, mostrou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em março, durante a Conferência de Ação Política Conservadora, que o Brasil seria “a solução para os Estados Unidos quebrarem a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.

O site também revelou a existência de um memorando elaborado por André Marinho, aliado de Flávio, propondo o alinhamento dos dois países numa cadeia de minerais estratégicos e um acordo entre a Vulcan e a Energy Fuels, mineradora americana que possui um projeto no sul da Bahia.

A Folha enviou pedidos de posicionamento aos contatos de e-mails divulgados pelas empresas Meteoric, Ucore e Vulcan, na quinta-feira, 24. Não houve retorno até a publicação desta reportagem. A empresa 1789 Capital e a assessoria de Donald Trump Jr. não divulgam contato institucional ou para imprensa.

O candidato Flávio Bolsonaro também não se posicionou sobre o assunto, até a publicação deste texto.

Dez pessoas em pé em um palco, com um homem ao centro segurando um documento aberto. Ao fundo, painel azul com texto sobre a política nacional de minerais críticos, estratégicos e terras raras. Pessoas ao redor aplaudem e sorriem, com bandeiras brasileiras à esquerda.

Em 16 de setembro, o presidente Lula sancionou o projeto de lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras

–
Ricardo Stuckert – 16.set.26

Como mostrou a Folha, Lula pediu pressa a Davi Alcolumbre na aprovação do PL que estabelece a política para terras raras e minerais críticos, a partir de informações que davam conta do avanço de estrangeiros, sobretudo norte-americanos, sobre quatro projetos de terras raras no Brasil.

O mais avançado é o projeto Serra Verde, em Goiás, que tem o governo dos EUA como um dos controladores. O Caldeira é um dos elencados.

Em dezembro de 2025, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) concedeu à Meteoric a licença prévia do projeto Caldeira, válida por cinco anos. O parecer que embasa a decisão diz que essa etapa avalia a viabilidade ambiental da atividade. A implantação efetiva da mina ainda depende de uma licença de instalação.

ENTENDA

Como se dá a ligação entre as terras raras de Minas Gerais e Donald Trump Jr.



Fonte https://redir.folha.com.br/redir/online/poder/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/09/empresa-financiada-por-filho-de-donald-trump-mira-terras-raras-de-megaprojeto-no-sul-de-minas-gerais.shtml

Você pode interessar!