
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o bolsonarismo na manhã desta terça-feira (2/6), durante cerimônia de inauguração da sede definitiva do campus de Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), em Goiás. Ao comentar a nova taxação americana sobre as importações brasileiras, Lula acusou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de atuarem contra os interesses nacionais e afirmou que eles conseguem ser “piores” do que o pai.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. (…) Eles não estão prejudicando o Lula, estão prejudicando o povo brasileiro. São traidores”, declarou o presidente diante de estudantes, autoridades e apoiadores.
Nodiscurso, Lula citou ao menos três episódios como justificativa. Dentre eles, o ocorrido em julho de 2025, quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o petista, integrantes da família Bolsonaro chegaram a comemorar a medida nas redes sociais, “o que agora eles negam”, completouu.
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Depois, ele falou sobre o recente encontro com Trump e a reação da cúpula bolsonarista com a reaproximação das lideranças. “Depois do sucesso da minha visita o bolsonarismo ficou puto [Lula esteve com o americano em 7 de maio]”, disse. O presidente contou que na reunião que teve em Washington respondeu às medidas norte-americanas com “diálogo e diplomacia”.
“Ao invés de ficar nervoso e fazendo bravata, já que eu não tenho navio, nem bomba atômica para fazer as guerras que o Trump gosta, a minha guerra foi da verdade contra a mentira. A guerra da narrativa. Por isso, fiz questão de provar que eles estavam mentido para reverter isso [a taxação]”, disse.
Segundo ele, o governo brasileiro apresentou documentos às autoridades dos Estados Unidos demonstrando que, nos últimos 15 anos, os norte-americanos acumularam superávit superior a US$ 415 bilhões na relação comercial com o Brasil, o que não justifica, segundo ele, a taxação inicialmente imposta pelos americanos.
O presidente também relatou ter discutido com Trump ações de combate ao crime organizado. O governo brasileiro, segundo ele, colocou suas forças de segurança à disposição para ampliar a cooperação internacional contra organizações criminosas. “Falei pro Trump que se ele quisesse combater o crime organizado estaríamos prontos para isso, mas que ele começasse me entregando os criminosos que estão lá nos Estados Unidos e que sabemos quem são”, disse antes de criticar, novamente, a interferência bolsonarista sobre este assunto.
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Solenidade
As declarações do presidente ocorreram durante a inauguração da nova estrutura do Instituto Federal Goiano em Catalão. A obra recebeu investimento de R$ 6,5 milhões por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), valor que corresponde a cerca de 70% do custo total do empreendimento. Atualmente, mais de 2,8 mil estudantes estão matriculados na unidade.
Durante a solenidade, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou um novo edital que permitirá a estudantes de institutos federais e universidades federais solicitarem apoio financeiro para participar de competições e olimpíadas internacionais. “Todos os estudantes dos institutos federais e universidades federais que participam de competições agora poderão pedir ao Ministério da Educação o financiamento das viagens para qualquer lugar do mundo”, afirmou.
Barchini também destacou a importância da rede federal de ensino e atribuiu ao aumento dos investimentos em educação, iniciados nos primeiros governos Lula, parte dos avanços registrados pelo país nas últimas décadas.
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A agenda em Catalão foi o primeiro de dois compromissos do presidente na cidade. Na sequência, Lula participou da inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Após o almoço, ele seguiu para Rio Verde, onde visitou o Hospital Municipal Universitário (HMU), acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Também integraram a comitiva presidencial o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, além de parlamentares e lideranças políticas de Goiás, entre elas a presidente estadual do PT, Adriana Accorsi, os deputados estaduais Mauro Rubem e Bia de Lima, os deputados federais Rubens Otoni e José Nelto, e as vereadoras Aava Santiago e Kátia Maria.
Por Mais Goiás

