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Sem conciliação, STF marca para 90 dias nova audiência sobre impasse entre GO e TO por território Kalunga

Erro técnico em mapas de 1977 gerou confusão sobre limites territoriais em Cavalcante

de admin

Sem conciliação, STF marca para 90 dias nova audiência sobre impasse entre GO e TO por território Kalunga

A audiência realizada nesta segunda-feira (6) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar de um impasse entre Goiás e Tocantins sobre uma área no território Kalunga, que estaria em Cavalcante, não teve conciliação. Conforme apurado pelo Mais Goiás, o ministro Cristiano Zanin marcou uma sessão para 90 dias.

Mais cedo, o portal revelou que um equívoco técnico de 1977 confundiu o Rio da Prata com o Córrego Ouro Fino em mapas oficiais do Exército. A situação levou Goiás e Tocantins a um confronto direto que atinge a cúpula do Judiciário brasileiro. A audiência desta segunda-feira visava analisar o pedido do governo goiano por uma correção urgente, na tentativa de frear a perda de arrecadação e proteger o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Quilombola Kalunga.

Na ação, o estado de Goiás pontuou que Tocantins estaria executando serviços públicos dentro de área goiana devido a um equívoco de nomenclatura em uma carta topográfica produzida pelo Exército Brasileiro em 1977. De acordo com o governo estadual, a confusão entre o Rio da Prata e o Córrego Ouro Fino teria provocado distorções na definição dos limites entre os estados, conforme previsto no §1º do artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e na Lei estadual nº 8.111/1976.

Em entrevista ao Mais Goiás ainda nesta manhã, o prefeito de Cavalcante, Vilmar Kalunga, expressou o “transtorno muito grande” que a polêmica causa à comunidade. Ele questionou abertamente a motivação do estado vizinho, apontando que, em 37 anos, Tocantins nunca havia demonstrado interesse pela área. “O questionamento é: por que agora? Por causa das cachoeiras, por causa de minérios que tem na região?”, indagou o gestor, sugerindo que o potencial econômico despertou uma cobiça tardia.

O impacto da disputa já é sentido nos cofres públicos. O prefeito lamenta que a receita municipal tenha caído após a toponímia da região ter sido vinculada ao Tocantins em registros recentes. Para ele, o estado vizinho está tentando se aproveitar de um erro topográfico evidente, o que classifica como uma postura “chata” e carente de sensatez pública.

Presença histórica de Goiás

O gestor reitera que o sentimento de pertencimento da comunidade Kalunga dos Morros é integralmente goiano. Segundo o prefeito, toda a infraestrutura da região — desde a abertura das primeiras estradas em 1986 até a construção de pontes e barracões — foi realizada com recursos de Cavalcante e do governo de Goiás.

Na narrativa do prefeito, ele destaca que o suporte social é mantido exclusivamente pelo município goiano. Ele pontua que a base de saúde local, instalada em uma antiga escola que funcionou por duas décadas, é operada por médicos de Cavalcante. Além disso, citou o exemplo de um agente de saúde que atua há 30 anos na região sendo pago pela prefeitura goiana. “Se fosse dependente de Tocantins, a manchete hoje seria: uma comunidade quilombola está sendo descoberta pela primeira vez. Porque eles nunca fizeram nada antes”, afirmou.

Provas documentais

O município de Cavalcante apresentou um robusto conjunto de provas ao Instituto Mauro Borges e à Procuradoria-Geral do Estado (PGE-GO) para subsidiar a ação no STF. O levantamento inclui:

  • Matrículas de imóveis e mapas históricos;
  • Registros escolares de unidades que funcionam há mais de 20 anos vinculadas a Goiás;
  • Certidões de nascimento de moradores locais registradas em Cavalcante;
  • Histórico de atendimento de saúde e manutenção de estradas.

Para o prefeito, a decisão é fundamental para garantir que o território não seja retalhado e que o direito dos descendentes quilombolas à posse definitiva de suas terras ancestrais seja, finalmente, respeitado.

Por Mais Goiás

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