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Delegado de Rio Verde, preso desde agosto, é acusado de coagir ex-alunos de dentro da cela

Relatos indicam que Proto chegou a usar linguagem agressiva e intimidatória nas mensagens enviadas

de admin

Prints das conversas enviadas aos alunos

Ex-alunos do Instituto Delta Proto (IDP), em Rio Verde, afirmam que estão sendo coagidos pelo delegado da Polícia Civil Dannilo Ribeiro Proto, preso desde 21 de agosto deste ano na carceragem da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) em Goiânia, por suspeita de liderar um esquema que teria desviado mais de R$ 2,2 milhões de dinheiro de escolas estaduais no município onde funciona o estabelecimento. Segundo relatos, ele estaria enviando mensagens de intimidação a estudantes inadimplentes, usando celular e notebook dentro da cela. Em um dos áudios, Dannilo chega a afirmar a uma ex-aluna: “Não, meu amor, você não precisa me mandar mensagem de investigação e tudo. Para começar, você faz parte da Polícia Civil? Do Ministério Público, do Judiciário? Não, então eu não quero saber desse assunto com você. Meu assunto com você é seu contrato”.

Segundo ex-alunos, que preferem não se identificar por medo, as mensagens recebidas incluem cobranças contratuais detalhadas, ameaças de ações judiciais, intimidações e ataques à reputação das vítimas, com termos como “leviana” e críticas à falta de pagamento das mensalidades. “Infelizmente você é leviana, minha senhora, porque assina contrato sem saber e não resolve suas pendências.” diz Proto em um dos áudios.

Um dos estudantes chegou a registrar boletim de ocorrência, relatando que, ao questionar sua permanência no IDP e buscar informações sobre a rescisão do contrato, recebeu diversas ligações e mensagens da esposa do delegado, Karen de Souza Santos Proto, e da filha do casal, Ana Júlia, contendo ameaças de processos e exigências de pagamento de multas.

Testemunhas relatam que os alunos inadimplentes estão intimidados, com medo de ir à delegacia ou acionar o Ministério Público. As mensagens, segundo eles, chegam principalmente à noite e em alguns casos o delegado teria se identificado como “Bruno”, mantendo a voz reconhecível, mas tentando disfarçar sua identidade.

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Imagem do delegado Proto
Esposa e filha do delegado também teriam participado das coações contra estudantes inadimplentes (Foto redes sociais)

Outros relatos indicam que professores ficaram meses sem receber salários, alunos desistiram de receber de volta valores pagos nos cursos após ameaças e, em algumas situações, a intimidação envolveu exibição de arma de fogo. Segundo os ex-alunos, o delegado e sua família usariam esses métodos de coação para manter controle sobre os estudantes e impedir que eles acionassem órgãos de fiscalização ou judiciais.

Mais Goiás entrou em contato com o advogado Rogério Leal, que na época da prisão de Dannilo Ribeiro Proto havia assumido sua defesa, mas informou que não faz mais parte da representação do réu. O espaço permanece aberto para manifestações.

A reportagem também tentou contato com os advogados do Instituto Delta Proto e da esposa e sócia de Proto, Karen de Souza Santos, mas não obteve retorno.

Além disso, foram feitas tentativas de falar com o titular da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) da capital para obter esclarecimentos sobre a denúncia de uso de notebooks dentro da cela e sobre as supostas coações contra ex-alunos do Instituto Delta Proto, mas não obteve retorno até o momento.

Por Mais Goiás

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