Lula diz que Tarcísio faz história com ele, mas governador é vaiado e alfinetado em evento federal – Blog Folha do Comercio
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Lula diz que Tarcísio faz história com ele, mas governador é vaiado e alfinetado em evento federal

de admin

Governador foi alvo da plateia formada por militantes e integrantes de movimentos sociais e ouve críticas de ministros a Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira, 27, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está “fazendo história” nas parcerias com o governo dele. Adversários políticos, os dois dividiram o palanque em evento em Santos que lançou edital para a construção do túnel que ligará a cidade a Guarujá. A obra custará R$ 6 bilhões, valor que será dividido pelos dois governos.

Antes, Tarcísio havia agradecido Lula em seu discurso pela parceria que possibilitou o empreendimento. Mesmo com a deferência, o governador foi vaiado em diversos momentos pela plateia majoritariamente pró-Lula no evento organizado pelo governo federal, presenciou gritos de “sem anistia” e assistiu ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e outros ministros criticarem a tentativa de golpe de Estado, que segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi liderada por Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político.

Lula e Tarcísio participam de cerimônia de lançamento do edital para as obras do túnel Santos-Guarujá no litoral paulista
Lula e Tarcísio participam de cerimônia de lançamento do edital para as obras do túnel Santos-Guarujá no litoral paulista Foto: Taba Benedicto/ Estadão

“Tarcísio, você está fazendo história nessas parcerias que estamos construindo. Pode ficar certo que o povo compreende o que está acontecendo. Tem gente do lado do Tarcísio que não gosta de vê-lo do meu lado e vice-versa. Nós só temos um lado: o do povo”, afirmou Lula.

O presidente disse ainda que ele e Tarcísio ainda terão muitas fotos juntas e fez uma alusão velada a Bolsonaro. Ele contou que chamou o governador para almoçar na semana passada.

“O que é mais grave pro nosso adversário é a gente estar rindo na foto. Pode até ter um fato na história, mas o que nós queremos é cuidar do povo de São Paulo e do Brasil. […] Se a pessoa não gosta de uma foto junto, uma foto com eu e você almoçando, vai ficar com muita dor de cabeça”, disse o presidente.

Lula afirmou ainda que ele o governador vão fazer um “bem bolado” para acabar com as palafitas na Baixada Santista. “Eu não estou propondo casamento para ele e nem ele para mim. O que estamos propondo é um jeito de trabalhar juntos”, acrescentou o petista.

Lula e Tarcísio dividiram o palanque em meio à queda da popularidade do presidente e ao aumento dos rumores de que Tarcísio pode se candidatar à Presidência em 2026, hipótese que ele rechaça. O governador ignorou gritos de “sem anistia” — ele próprio já defendeu o perdão aos presos do 8 de Janeiro — e as vaias durante seu discurso, principalmente quando falou da privatização da Sabesp. Ele preferiu sinalizar que tem bom entendimento com o presidente.

“Eu quero agradecer ao senhor porque desde o início quando tivemos as conversas sobre o túnel, o senhor colocou o assunto como prioridade”, disse Tarcísio a Lula. “Voltamos a falar recentemente e eu me lembro que o senhor falou que não está na hora de ter disputa política e que o momento é de atender ao cidadão”, continuou.

Os gritos de “sem anistia” foram mais fortes durante o discurso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PE). Ele disse que buscará a mesma convergência estabelecida entre Lula e Tarcísio na hora de pautar os projetos na Casa. “Nosso povo cansou de conflitos, não aguenta mais de radicalismo”, disse o deputado.

Os dois lados se esforçaram para transmitir a mensagem de que deixaram as diferenças políticas de lado para priorizar o bem-estar da população e a realização da obra, mas houve diversos momentos de desconforto e saias-justas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que “enquanto alguns tramavam o assassinato de seus adversários, Lula prega o diálogo”. O ministro Rui Costa (PT) declarou que o ser humano somente dá valor às coisas quando perde e acrescentou que é preciso valorizar a democracia em meio “a todos esses processos que nós estamos acompanhando, essa tentativa de aniquilar a democracia no Brasil com uma tentativa de golpe”.

A Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro, que é padrinho político de Tarcísio, e disse que ele liderou uma organização criminosa para romper com a ordem democrática. No início da semana, o governador paulista classificou a denúncia como “revanchismo” e “forçação de barra” contra Bolsonaro.

Rui Costa também deu alfinetadas no governo Bolsonaro e, em especial, na pasta ocupada por Tarcísio à época, ao dizer que quando era governador não conseguia fazer obras em parceria com o governo federal. Tarcísio era Ministro da Infraestrutura do governo anterior.

O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), elogiou a união dos dois governos, mas criticou a proposta do governo Bolsonaro que pretendia privatizar o Porto de Santos. A iniciativa era capitaneada justamente por Tarcísio, e foi defendida por ele nos primeiros meses como governador. O governo Lula enterrou a proposta.

França é um dos cotados, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também estava presente, para ser candidato ao governo de São Paulo. Os dois seriam adversários de Tarcísio se o governador não embarcar no projeto nacional e optar mesmo pela reeleição.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), foi mais simpático do que o colega de Esplanada. Do mesmo partido de Tarcísio, ele afirmou que o governador e Lula juntos representam a beleza da democracia e que os dois estarão juntos em breve “para bater o martelo do leilão na B3 [Bolsa de Valores].

A promessa é que o túnel imerso diminua para menos de dois minutos o tempo de trajeto entre as duas cidades do litoral paulista. Atualmente, motoristas precisam pegar uma estrada de 43 quilômetros ou embarcar em uma balsa, cuja travessia pode levar de 20 minutos. A previsão é que o leilão seja realizado em agosto, a construção comece em 2026 e leve cinco anos para ser concluída.

Por Estadão

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