Em entrevista à revista americana Time, automobilista heptacampeão se aprofundou sobre sua mudança para a Ferrari
Prestes a iniciar uma nova etapa em sua carreira aos 40 anos, Lewis Hamilton parece não querer deixar sua idade — já um tanto avançada para pilotos da Fórmula 1 — afetar seus objetivos. Um dos representantes da Ferrari a partir da temporada de 2025, o heptacampeão mundial pretende chegar ainda mais longe: quer ganhar o seu oitavo e inédito título na categoria e se consolidar de uma vez por todas como o maior nome da modalidade.
Ao menos é isso que ele afirmou para a revista americana Time. Em sua primeira entrevista aprofundada desde que saiu da Mercedes, sua equipe desde 2013, o britânico contou detalhes sobre sua mudança para a famosa escuderia italiana e revelou quais são seus planos para os anos seguintes de trabalho.
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Um deles é continuar correndo. “O que posso dizer é que a aposentadoria não está no meu radar”, afirmou ele. “Poderia ficar aqui até os 50, quem sabe”.
Hamilton se contrapõe às críticas de quem diz que ele já está velho para o esporte e que a Ferrari estaria cometendo um erro ao contratá-lo. “O velho é um estado de espírito. É claro que seu corpo envelhece. Mas eu nunca serei um velho”, diz. Ele relembra outros atletas atingiram a longevidade em suas carreiras — Tom Brady, no futebol americano, e LeBron James, no basquete, por exemplo.
O piloto se diz incomparável. “Sou o primeiro e único piloto negro que já esteve neste esporte. Sou construído de forma diferente. Já passei por muita coisa. Tive minha própria jornada. Você não pode me comparar a outro piloto de Fórmula 1 de 40 anos, passado ou presente, na história. Porque eles não são nada como eu”, reforça. “Estou com fome, motivado, não tenho esposa e filhos. Estou focado em uma coisa, e isso é vencer. Essa é minha prioridade número 1”.
Ida para a Ferrari
Hamilton conta que a mudança para a Ferrari o empolga. “Eu precisava me jogar em algo desconfortável novamente. Honestamente, eu pensei que todas as minhas primeiras vezes já tinham acabado. Seu primeiro carro, seu primeiro acidente, seu primeiro encontro, primeiro dia de aula. A excitação que eu tinha com a ideia de, ‘Esta é minha primeira vez no terno vermelho, a primeira vez na Ferrari’. Eu nunca fiquei tão animado”, explica.
Ele relembra o momento da proposta, quando recebeu uma ligação convidando-o para a equipe italiana em 2025: “Lembro-me de desligar o telefone e, tipo, quase tremer. Eu estava tipo, ‘Oh Deus’!”. Confidenciou a possibilidade a poucas pessoas próximas. ”Era muita coisa para assimilar, e minhas emoções estavam realmente altas”, diz.
A mudança, porém, pareceu a decisão mais certa depois de alguns dias. “Estamos em um momento de reimaginar o futuro, reimaginar o que realmente significa sonhar. Vou para a Ferrari, cara, e esse é o maior sonho”.
Por Estadão