Home Saúde Depois dos 50 anos, risco de câncer sobe até 11 vezes; veja lista dos tumores mais comuns nessa fase

Depois dos 50 anos, risco de câncer sobe até 11 vezes; veja lista dos tumores mais comuns nessa fase

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No cenário mundial, 56% dos casos de câncer são diagnosticados em idosos e 70% de todas as mortes provocadas por doenças oncológicas acometem pessoas acima dos 60 anos de idade

Nesta segunda, 5, foi anunciado que o Rei Charles III está com câncer – o tipo de tumor não foi divulgado. Na idade do monarca, que tem 75 anos, há um aumento no risco do diagnóstico da doença. Para ter ideia, ultrapassar a linha dos 50 anos de idade pode aumentar em até 11 vezes o risco de desenvolvimento de câncer, segundo a Comissão de Oncogeriatria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Segundo a mesma entidade, mais da metade (56%) dos casos de doenças oncológicas no mundo são diagnosticadas em idosos, e cerca de 70% de todas as mortes provocadas por câncer atingem pessoas acima dos 60 anos.

Os perigos do câncer na terceira idade também são alertados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Na divulgação das estimativas da doença no Brasil para 2023 — o estudo é publicado anualmente —, o Inca afirma que “o impacto da incidência e da mortalidade de câncer está aumentando no cenário mundial” e informa que, “na maioria dos países”, a enfermidade está entre as principais causas de mortes prematuras, que são as que acontecem antes dos 70 anos.

“Basicamente, o termo ‘câncer’ se refere a uma pluralidade de tipos de tumores malignos decorrentes do crescimento desordenado e anormal de células”, descreve o médico e oncologista Carlos Gil Fereira, presidente do Instituto Oncoclínicas. “Quando essa ‘falha’ acontece, as células passam a se dividir rapidamente e formam tumores em algum local do corpo e podem se espalhar para outras regiões, invadindo tecidos e órgãos”, completa o especialista.

Na terceira idade, explica Gil, as correções que o organismo faria para frear essa divisão celular anômala ficam mais comprometidas, uma vez que o sistema imunológico dos idosos é naturalmente mais lento. “Em outras palavras, ele não desempenha suas funções de defesa com a mesma eficiência de antes”, afirma o médico. “Logo, esse descontrole na multiplicação celular favorece o surgimento do câncer na terceira idade”, acrescenta.

O presidente do Oncoclínicas destaca também que o aumento da expectativa de vida da população contribui para que os casos de doenças oncológicas se concentrem entre os mais velhos. “A longevidade torna os indivíduos mais expostos ao desenvolvimento de doenças desse tipo. O simples fato de o organismo estar constantemente em um processo de divisão celular aumenta os riscos na idade avançada”, reforça.

Veja os tipos de câncer mais comuns em idosos

Embora os dados de prevalência sobre câncer diagnosticados em idosos não estejam totalmente atualizados, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, a lista dos tipos de tumor que mais atingem a terceira idade pode ser feita com base na prevalência no cenário mundial. Por isso, os médicos afirmam que os cânceres que mais afetam o público mais velho são:

  • Câncer de pulmão
  • Câncer de mama
  • Câncer de próstata
  • Câncer colorretal (intestino)

Câncer de pulmão
De acordo com o último Observatório Global do Câncer, da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pulmão é o tipo de tumor mais comum em todo mundo, com 2,5 milhões de diagnósticos (12,4% do total). Entre 60 e 85 anos, ele segue como o mais incidente, segundo o levantamento. As informações foram divulgadas na semana passada e levam em conta dados de 2022 referentes a 185 países.

No Brasil, dados do Inca, com base nas estimativas para 2023, apontam que esse tipo de câncer é o terceiro de maior prevalência em homens (18.020 casos novos) e o quarto em mulheres no Brasil (14.540 casos novos).

O principal fator de risco é o tabagismo e a exposição ao tabaco, responsáveis por 85% dos diagnósticos no País. A maior parte dos casos afeta pessoas entre 50 e 70 anos. De acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer, que tem 2021 como ano de referência, 28.868 pessoas (15,9 mil homens e 12,9 mil mulheres) morreram em decorrência da doença.

Especialistas explicam que o excesso de contato com esses agentes ao longo da vida contribuem para que esse tipo de tumor seja muito frequente nos idosos. “Quanto mais tempo vivo, maiores as chances de ter fumado, seja de forma ativa ou passiva. Por ficar mais tempo exposto ao fator de risco, maior o risco de aparecer o câncer de pulmão” explica o médico geriatra Gabriel Constantino, do A.C.Camargo Cancer Center.

Outros fatores de risco para esse tipo de tumor englobam exposição a agentes químicos ou físicos, como asbesto, sílica, urânio, cromo, entre outros, além de água potável contendo arsênico. Uso de altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes também entra na lista.

Câncer de mama

câncer de mama é outro tumor que costuma ser frequente em idosos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a idade é um dos mais importantes fatores de risco para esse tumor: cerca de quatro em cada cinco casos são diagnosticados após os 50 anos.

O Observatório Global do Câncer o identificou como o segundo tipo de câncer mais prevalente no mundo (2,3 milhões, ou 11,6%), afetando mulheres na extrema maioria das situações. Nesse mesmo levantamento, entre pessoas de 60 a 85 anos, trata-se do quarto tumor mais incidente.

No Brasil, o tumor foi o responsável pela morte de 18.361 pessoas, sendo 220 homens e 18,1 mil mulheres, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer de 2021.

“No câncer de mama, as lesões visíveis acontecem às vezes em idosos muito frágeis. Mesmo assim, há muitos tratamentos para esses casos”, diz Constantino. “Agora, em idosos mais ativos e com rastreamento (processo para detectar a doença), geralmente o sintoma de câncer de mama é percebido por meio de apalpação de nódulo, seja na consulta de rotina, no autoexame ou na mamografia.”

Câncer de próstata

câncer de próstata é considerado um câncer da terceira idade: 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, informa o Inca. Atualmente, é o tipo de tumor que mais atinge homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Ao todo, 16.301 pessoas morreram em decorrência da doença em 2021, conforme levantamento do Atlas de Mortalidade por Câncer.

No último Observatório Global do Câncer, ficou em terceiro lugar entre os tumores mais frequentes dos 60 aos 85 anos.

Entre os principais fatores de risco da doença estão a idade, a presença de casos na família, e também excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade podem aumentar o risco de câncer de próstata avançado).

Os sinais e sintomas iniciais se confundem com o crescimento benigno da próstata (glândula que somente os homens possuem e que fica localizada abaixo da bexiga e à frente do reto), que são dificuldade de urinar ou urinar de forma mais constante ao longo do dia e durante a noite. A detecção desse tumor pode ser feita por meio de exames clínicos, como o toque retal e de sangue, bem como exames laboratoriais, endoscópios ou radiológicos.

Câncer colorretal (intestino)

Também listado pela OMS como um dos mais comuns no mundo, o câncer colorretal, chamado popularmente de câncer de intestino, é outro muito frequente em pessoas idosas. No levantamento da Iarc, aparece como o segundo mais incidente entre os 60 e 85 anos, atrás apenas do câncer de pulmão.

Esse tipo de tumor acomete parte do intestino, o cólon e o reto. Entre os principais fatores de risco são idade igual ou acima de 50 anos, sedentarismo, sobrepeso e obesidade, alimentação pobre em alimentos com fibras e excesso de ingestão de carnes vermelhas e processadas. Histórico de câncer na família, doenças inflamatórias do intestino, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas também elevam as chances de diagnóstico desse tipo de tumor.

O câncer colorretal pode demorar a provocar sintomas e, por isso, muitas vezes é descoberto já em estágio avançado. Entre os sinais estão sangramento nas fezes, além de emagrecimento, embora esse não seja o sintoma mais comum.

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